Nos dias nuviados, daqueles que não conseguimos ver o céu, parece que estamos presos dentro do mundo.
E presos dentro de nós mesmos.
Foi ainda noutro dia que me peguei dizendo coisas no meio de uma conversa. Coisas que nem eu sabia que eu pensava ou achava. Mas a certeza com que eu disse me fez acreditar nas palavras saídas de mim.
Não medi nem calculei, simplesmente afirmei.
Aí surgiu o problema. E se for realmente verdade?
Provavelmente, os conversantes daquela roda nem se lembram mais da conversa que tirou minha calma. Nuviou minha cabeça com esses pensamentos pouco pensados. Essas indagações sempre evitadas.

A afirmação em questão, que já deve causar certa curiosidade aos leitores, veio da acusação de uma amiga. "Vocês têm a sorte de já terem encontrado o amor de vocês". De pronto respondi: Já encontramos e deixamos partir. Você, pelo menos, tem a chance de fazer diferente.
O que fazer diante do meu atestado próprio de incompetência?
Uns comeriam chocolate vendo Titanic. Outros buscariam o amor perdido montados num cavalo branco.
Prefiro seguir a filosofia que tanto detesto, mas que me serve agora. Popularizada na voz do grande Zeca, deixo a vida me levar. Às vezes, é preciso mudar o foco.
E enquanto não mudo de opinião, me conforto por acreditar em destino.